segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MADRUGADA DE SETEMBRO - A NOVA POESIA EXISTÊNCIAL-AMAZÔNICA DE JALNA GORDIANO



                                                     MADRUGADA DE SETEMBRO




Eu não consigo andar nesses lugares
E fingir leveza
Nitidez
E falsear sotaques
E equilibrar-me.
Não dá pra falar dessas coisas que nos ofendem.
Não dá pra ser simpático e
Agradável ao mesmo tempo.
As sandálias escorregam nos pés e os degraus ficam cada dia mais altos.
Não quero um temaki
Não tomo desta cerveja e não conheço seu dialeto
Prefiro ficar aqui com minhas duas personas a suportar tua ideia
Não sou Voltaire, não sou Ghandi
Não sei cruzar as pernas e ser gentil enquanto me estupram
Não  dá pra fingir abstinência e admirar esses borrões.
A noite vai murchando e o céu muda suas cores
O coleguinha pede um cigarro que não posso negar.
Mas e quanto a mim,
Quanto a falta de modéstia evidente a qual somos forçados a fingir?
Não sou igual.
Não quero ser.
Nunca seremos parte de um mesmo todo.
Nunca falaremos o mesmo idioma
Não fazemos parte de um mundinho fake de  paz e amor, bicho.
                                                                                                  Jalna Gordiano  24 09 12

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